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terça-feira, 3 de julho de 2012

'Vacina contra o cigarro' bloqueia' a nicotina no cérebro de ratos"

Fumantes poderão um dia ser imunizados contra a nicotina para que deixem de sentir prazer com o hábito, segundo pesquisadores nos Estados Unidos.


Os especialistas do Weill Cornell Medical College, em Nova York, criaram uma vacina que leva o organismo do vacinado a produzir anticorpo que atacam a nicotina.

Vacinação pode ser usada para tratar dependência crônica da nicotina 

Serão necessários anos de pesquisa antes que a vacina possa ser testada em humanos. Entretanto, o coordenador do estudo, Ronald Crystal, está convencido de que haverá benefícios.O estudo, feito com ratos de laboratório e publicado na revista científica Science Translational Medicine, mostrou que os índices da nicotina no cérebro dos animais foram reduzidos em 85% após a vacinação.

"Parece-nos que a melhor forma de tratar a dependência crônica por nicotina associada ao fumo é ter esses anticorpos fazendo patrulha, limpando o sangue antes que a nicotina possa ter qualquer efeito biológico", ele disse.
Nova abordagem

Outras "vacinas contra o fumo", que treinam o sistema imunológico para produzir anticorpos que se acoplam à nicotina, foram desenvolvidas no passado. Esse é o mesmo método usado em vacinações contra doenças.

O desafio até agora tem sido conseguir produzir anticorpos suficientes para impedir que a droga entre no cérebro e produza a sensação de prazer.

Os cientistas do Weill Cornell Medical College, no entanto, usaram um caminho completamente diferente: eles optaram por criar uma vacina baseada em terapia genética que, segundo eles, é mais promissora.

Um vírus geneticamente modificado contendo instruções para a fabricação de anticorpos de nicotina é usado para infectar o fígado do vacinado. Isso transforma o órgão em uma fábrica desses anticorpos.

Após receber injeções de nicotina, ratos que haviam sido imunizados apresentaram 85% menos nicotina em seus cérebros do que um outro grupo de ratos que não havia sido vacinado.

Não se sabe se isso pode ser repetido em humanos ou se esse índice de redução seria suficiente para ajudar fumantes a abandonar o hábito.

Crystal disse que se tal vacina puder ser criada, "as pessoas saberão que se começarem a fumar novamente, não vão sentir prazer devido à vacina contra a nicotina e isso pode ajudá-las a abandonar o hábito".

"Temos muita esperança de que esse tipo de estratégia (de desenvolvimento da) vacina possa finalmente ajudar milhões de fumantes que tentaram parar, tentaram todos os métodos existentes no mercado hoje, mas sentem que a dependência por nicotina é tão grande que acaba derrotando todas essas abordagens atuais."
'Impressionante'

Também há questões relacionadas à segurança de terapias genéticas em humanos que precisarão ser respondidas.

Darren Griffin, professor de genética da University of Kent, na Inglaterra, disse que os resultados do estudo são "impressionantes e intrigantes, com grande potencial", mas avisou que ainda há muitas questões que precisam ser resolvidas.

Para ele, a questão principal é saber "se os efeitos bioquímicos nos ratos de laboratório se traduziriam em uma dependência reduzida em humanos, uma vez que essas dependências podem ser tanto físicas como psicológicas".

Simon Waddington, do University College London, disse: "A tecnologia em que se baseia a terapia genética está melhorando o tempo todo e é animador ver esses resultados preliminares sugerindo que (a terapia genética) poderia ser usada para resolver o problema da dependência por nicotina".

Se tal vacina fosse criada, poderia haver também questões éticas. Por exemplo, em relação à vacinação de pessoas na infância, antes de que começassem a fumar.

Fonte: BBC Brasil

Medicamento natural contra superbactéria

Extrato de planta brasileira recém-descoberta combate bactéria resistente responsável por infecções hospitalares. O material pode dar origem a um antibiótico para prevenir e eliminar a presença do microrganismo em lesões cutâneas, evitando que ele penetre no corpo.


Medicamento natural contra superbactéria
A planta ‘Kielmeyera aureovinosa’, descoberta recentemente pela equipe da empresa Extracta Moléculas Naturais durante expedição na mata atlântica, tem ação antibiótica contra superbactéria associada a infecções hospitalares. (foto: Mario Gomes/ Extracta)
Pode vir da flora brasileira um novo medicamento para combater uma bactéria super-resistente que é a principal causa de infecções hospitalares de alta mortalidade. O antibiótico está sendo desenvolvido pela empresa Extracta Moléculas Naturais a partir de uma planta até então desconhecida, a Kielmeyera aureovinosa.
O composto, batizado de Aureociclina, é capaz de eliminar a bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina, microrganismo que pode infectar feridas ou cortes na pele e nas fossas nasais e penetrar no corpo. Normalmente, a contaminação não causa sintomas aparentes, mas, se a bactéria atingir a corrente sanguínea, pode provocar infecções em órgãos e sistemas do corpo e levar à morte.
Embora seja geralmente transmitido em hospitais, através de sondas e cateteres mal instalados e pelo contato de médicos e enfermeiros com o paciente, esse microrganismo já ultrapassou os limites do ambiente hospitalar. “Na comunidade, ele se manifesta, por exemplo, em clubes de luta e escolas, lugares onde normalmente há muitos machucados e as pessoas se tocam muito”, diz o médico Antônio Paes de Carvalho, fundador da Extracta e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Staphylococcus aureus
A bactéria ‘Staphylococcus aureus’ resistente à meticilina pode penetrar no corpo através de feridas ou cortes e provocar infecções em diversos órgãos e sistemas e até levar à morte. (foto: CDC/ Janice Carr/ Deepak Mandhalapu, M.H.S.)
Segundo Carvalho, a ideia inicial é formular o antibiótico na forma de creme para prevenir e tratar a infecção em lesões cutâneas. Assim, será possível também evitar que a bactéria se instale no organismo.


Direto da mata atlântica

Foi em uma incursão pela serra do Mar, na mata atlântica, que a equipe da Extracta descobriu a Kielmeyera aureovinosa. Para avaliar o potencial antimicrobiano desta e de outras 48 espécies da flora brasileira, os pesquisadores utilizaram etanol de alta pureza para extrair pequenas moléculas de cada parte das plantas (flor, folha, caule e raiz). Depois, esses diferentes extratos foram diluídos em água e outros solventes e testados em culturas resistentes de Staphylococcus aureus.
Os testes mostraram que a K. aureovinosa era a planta que tinha maior eficácia contra a bactéria, pois necessitava de menor concentração de extrato para obter os mesmos resultados que as outras espécies. Colocado em contato direto, durante 24 horas, com uma colônia de S. aureus resistentes à meticilina, o extrato da planta eliminou todas as bactérias.
O novo medicamento é um pouco mais eficaz que a Mupirocina, antibiótico sintético usado atualmente para combater infecções por S. aureus resistentes
Carvalho conta que o extrato mais ativo foi o da raiz de K. aureovinosa. Esse material foi então usado na preparação de um creme para uso tópico. Testado em culturas celulares e em pele de animais, o creme não apresentou toxicidade, mesmo em concentrações muito superiores às necessárias para matar a bactéria.
Os pesquisadores também verificaram que a Aureociclina é um pouco mais eficaz que a Mupirocina – antibiótico sintético usado atualmente para combater e prevenir infecções por S. aureus resistentes à meticilina em lesões cutâneas. “Para matar uma mesma quantidade de bactérias, é preciso usar 0,25 micrograma de Mupirocina por mililitro contra apenas 0,125 micrograma de Aureociclina”, diz Carvalho.
Agora a equipe da Extracta precisa mostrar que a Aureociclina não apenas mata as bactérias isoladas, como também combate a infecção no corpo. Para isso, o fitoterápico deve ser primeiro testado em animais infectados. No entanto, ainda não há previsão de quando esses testes serão feitos, porque a empresa não dispõe de recursos para realizá-los.
“O ideal seria que pudéssemos demonstrar também a utilidade do medicamento para aplicação por via oral ou intravenosa, pois só assim conseguiríamos atingir a infecção quando ela ultrapassasse a barreira cutânea e se espalhasse pelo organismo”, comenta Carvalho. E acrescenta: “Ainda estamos buscando parceiros financiadores para essa parte final da pesquisa, muito mais trabalhosa e cara.
Fonte: Ciência Hoje